Jornalismo Crítico | Equipe | Copyleft | Contato | Escreva | Edição Impressa | Assinaturas
Uma iniciativa


Já nas bancas



Reflexões sobre o consumo responsável
Resenha | Comprar

Edições anteriores

Alternativas ao aquecimento global
Resenha | Comprar

Caminhos para uma comunicação democrática
Índice | Comprar

A disputa pelo ouro azul
Índice | Comprar

Alca: o jogo duro do império
Índice | Comprar

setembro 2007

imprima
MIGRAÇÕES

A força dos que vivem longe

Os dois milhões de marroquinos radicados na Europa remetem a seu país o equivalente a 60% do déficit comercial e movimentam rotas marítimas que fazem, só a partir da França, 200 mil viagens por ano

Pierre Daum

Segundo um estudo realizado em 2003, pela Fundação Hassan II para os Marroquinos Residentes no Exterior e pelo Observatório Internacional das Migrações, são 2 milhões os marroquinos emigrados. Os principais países onde se estabeleceram são França (728 mil em 1999, dos quais 206 mil nasceram no país onde hoje residem e 222 mil adquiriram a nova nacionalidade sem perder a marroquina); Espanha (260 mil em 2001; 505 mil em 2006, segundo a agência de notícias Latin Reporters); Bérgica (204 mil em 2000, e 265 mil em 2006, segundo o sociólogo Jan Hertogen); Holanda (252 mil em 1999); Itália (194 mil em 2000, e 240 mil em 2007, de acordo com a agência de notícias marroquina MAP).

Segundo o semanário marroquino Tel Quel, [1], “nos últimos anos, as transferências de divisas dos emigrados cobriram 60% do déficit comercial" do país. Além de remeter recursos a seus familiares, parte dos residentes no exterior regressa periodicamente, em viagens como a retratada em "A bordo do Marrakesh Express". Três barcos fazem a ligação entre a França (porto de Sète) e o Marrocos (Tanger). A Comarit (empresa privada marroquina) mantém o Biladi (de 1200 lugares). A Comanav, companhia pública do Marrocos, freta dois ferries (que transportam passageiros e automóveis): o Marrakesh (670 lugares) e o Marrakesh Express (850 lugares). Juntas, as três embarcações transportam 200 mil passageiros por ano, "dos quais 90% são emigrados marroquinos", informa Philippe Sala, proprietário da agência de viagens francesa Euromer, que vende dois terços das passagens.

“Este movimento cresce de forma explosiva", continua ele. "Antes, as famílias que viviam na França percorriam de carro 1500 quilômetros até a Espanha e faziam a travessia mais curta para a África. Mas os emigrantes envelheceram e melhoraram de vida. Por isso, preferem dirigir-se a Sète e dar-se ao luxo de um pequeno cruzeiro". Philippe Sala esfrega as mãos: o governo marroquino acaba de vender a Comanav à CMA CGM, poderosíssima empresa de transportes marítimos (terceira do mundo), do franco-libanês Jacques Saadé, com sede em Marselha. A partir de janeiro de 2008, a CMA CGM poderá dotar a linha Sète-Tanger de novos barcos. "Chega das velhas banheiras de trinta anos, que não ultrapassam os 18 nós!", entusiasma-se o dono da Euromer. Com os novos navios, será possível chegar a 28 nós e oferecer aos clientes travessias de 24 horas". Pelo mesmo preço? "Sim, é claro"....

Leia mais:

Nesta edição, sobre o mesmo tema:

A bordo do “Marrakech Express”
Reportagem sobre um dos choque culturais emblemáticos de nosso tempo. Quarenta horas a bordo do navio que faz a travessia do Mediterrâneo abarrotado, levando ao Marrocos milhares de migrantes que foram tentar a sorte na Europa e regressam a seu país em viagem de férias



[1] Edição de 30 de junho de 2007


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BIBLIOTECA LMD

» por tema
» por país
» por autor

BOLETIM


digite seu endereço internet e receba nosso boletim

Leia mais sobre

» Marrocos
» Desigualdades Internacionais
» Economia
» Movimentos Migratórios
» África

Caderno Brasil

» Jardim Santo André na Galeria Vermelho
» Palavra 51
» A Raposa Serra do Sol no STF
» O Fantasma das rebeliões
» Cultura livre, movimentos e humanização do Capital
» 50 anos de Formação econômica do Brasil
» Quem tem medo de Obama
» Palavra 50
» TSE desafiado a ouvir a voz do povo do Maranhão
» Novos dias
» O dia que a terra parou
» Monsanto escancarada
» Palavra 49
» Palavra 48
» Explicando o verão francês
» Palavra 47
» O vazio
» Ignacy Sachs propõe Outra Amazônia
» Amazônia – laboratório das biocivilizações do futuro
» A nova arte da Cooperifa
Mais textos


Blog da redação

» Enfim, a Carta!
» Salada Mista
» Somos um e múltiplos
» Ignacy Sachs debate a Amazônia
» Dois olhos, dois ouvidos e uma boca só: Fórum revive a função social da reportagem

Nesta edição

» O mundo refém das finanças
» Guerra fria sobre o Ártico
» Da Antártida às estrelas
» A bordo do “Marrakesh Express”
» Kiarostami e Erice
» "As crianças me ensinaram"
» Guatemala: o lento despertar do gigante
» O plano da direita e a resposta popular
» Jimmy Carter e o apartheid israelense
» O golpe montado pela CIA
» Mossadegh, o homem a ser abatido
» Macau supera Las Vegas
» Desigualdades norte-americanas
» Nos EUA, o desmonte do ideal democrático
» Universidades transculturais?
» Ambigüidades do comércio eqüitativo
» Documentários de combate
» Últimos dias da Argélia francesa
» As mulheres do Irã dão notícias

Veja também

» Outras edições